La Maison Romane · França · Borgonha

Fixin Les Clos 2023

Tinto Seco · AOC Fixin

R$ 895,00

Das encostas argilo-calcárias do climat Les Clos, em Fixin, videiras de 55 anos entregam um belíssimo pinot noir, com boa qualidade de fruta, equilíbrio e profundidade.

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Introdução

No limite norte da Côte de Nuits, onde Fixin encontra a comuna de Couchey, o climat Les Clos ocupa a parte alta da encosta em solos argilo-calcários entremeados de cascalho aluvial e fragmentos de calcário fossilífero. Ali, Oronce de Beler trabalha com videiras de 55 anos, sem herbicidas nem pesticidas.

Oronce descreve este vinho como mais áspero e cisterciense do que os seus outros tintos - uma palavra que fala de austeridade, de pedra, de silêncio - e é exatamente essa tensão mineral que o torna raro entre os Fixin. Um vinho absolutamente inesquecível, com excepcional potencial de guarda.

Descrição da safra

A safra 2023 na Borgonha foi marcada por um inverno ameno seguido de uma primavera chuvosa, que favoreceu episódios de míldio e exigiu atenção redobrada nos vinhedos. O verão trouxe ondas de calor em julho e agosto, intensificando o estresse hídrico, sobretudo em solos pouco profundos.

Na Côte de Nuits, as tempestades estivais forneceram umidade pontual, mas a estiagem prevaleceu e resultou em bagas menores e mais concentradas. Os rendimentos ficaram ligeiramente abaixo da média decenal.

A colheita dos tintos foi realizada em tempo seco, em meados de setembro, o que permitiu seleção cuidadosa das uvas. No climat Les Clos, cujos solos argilo-calcários de encosta drenam bem e absorvem a tensão hídrica com mais equilíbrio, as condições resultaram em uvas saudáveis, ricas em polifenóis, com taninos maduros e boa acidez preservada.

Para um vinho de vocação mineral e estruturada como este Fixin, 2023 entregou concentração e precisão sem abrir mão do frescor.

Vinificação e Élevage

A colheita é inteiramente manual, com dupla seleção rigorosa: primeiro no vinhedo, cacho a cacho, e depois sobre a mesa de triagem na cave.

Oronce de Beler trabalha 100% com cachos inteiros, sem desengace, o que exige uvas em perfeito estado sanitário e é, segundo ele, a condição essencial de pureza do vinho. A fermentação alcoólica ocorre com leveduras indígenas, sem adição de sulfitos em nenhuma etapa. Nas fases iniciais, pratica-se apenas remontagem suave, para não romper as cascas nem as bagas; à medida que as leveduras avançam, o pigeage é intensificado somente no estágio final da fermentação, quando a densidade chega próxima de 0,995 g/mL (995 g/L) - momento em que Oronce pisa as uvas para liberar os últimos açúcares residuais e prolongar o trabalho dos micro-organismos, parando assim que percebe os taninos se afirmando.

Sem sulfitos, a fermentação malolática costuma iniciar-se espontaneamente ainda sob a prensa, ou mesmo antes da prensagem, aproveitando a vitalidade natural das leveduras.

O élevage do Fixin Les Clos se dá em velhas barricas de carvalho francês da floresta de Tronçay, por um período de 15 a 19 meses. A madeira usada é antiga, sem imposição de marca de carvalho nova, com o único propósito de sustentar o vinho, não de mascará-lo. Durante esse tempo, o completamento dos tonéis é feito apenas a cada dois meses - e não semanalmente, como é prática corrente -, reduzindo a entrada de oxigênio e preservando a acidez volátil.

As trasfegas são realizadas exclusivamente por gravidade, nunca com bomba. Ao final, o vinho é engarrafado à mão com enchedora de quatro bicos por gravidade, sem colagem, sem filtração e com quantidade de dióxido de enxofre total inferior a 10 mg/L. Cada garrafa é selada com cera, seguindo o calendário lunar para o engarrafamento.

Nota de Degustação

O Fixin Les Clos 2023 apresenta cor rubi de intensidade média, límpido e translúcido, como é característico nos vinhos de Oronce de Beler, que não são clarificados nem filtrados.

No nariz, o perfil é floral e terroso, com notas de cacho inteiro que trazem um toque de canela e um leve caráter herbáceo; ao fundo, frutas vermelhas - cereja e framboesa - emergem com discrição, entremeadas de nuances minerais que remetem ao calcário do terroir.

Na boca, o ataque é tenso, com taninos firmes e uma borda mais austera que, segundo o próprio Oronce de Beler, é característica desta cuvée - mais sério e cisterciense do que os seus outros tintos. A estrutura tânica traz espinha dorsal, entretanto sem ser duro ou áspero em excesso. Um borgonha profundo e meditativo. A textura é sóbria e o final persiste com frescor mineral e notas de especiarias.

Em sua juventude, ele pode ser bebido com prazer mas recomendamos alguns anos de guarda para que a elegância do terroir se revele com maior plenitude.

Harmonização

O Fixin Les Clos 2023 pede pratos de substância sem exagero de peso. Sirva-o entre 15 e 17 °C, em taça borgonha de bojo largo, e, se os taninos ainda se mostrarem presentes, deixe-o respirar por 20 a 30 minutos em decanter.

Frango caipira ao molho de vinho tinto e cogumelos - a umami dos fungos ecoa as notas terrosas do vinho e o molho equilibra a acidez. Lombo de porco braseado com ervas - o peso moderado da carne e o sugo da brasagem sustentam a estrutura sem esconder a mineralidade. Codorna assada com redução de cerejas - a ave delicada espelha o perfil de frutas vermelhas do Pinot Noir e não sobrecarrega o álcool contido de 11,67%. Queijo Canastra semicurado - opção brasileira em que a gordura e a leve acidez do queijo fazem contraponto gentil aos taninos do vinho. Terrine de campagne ou pâté en croûte - a textura gordurosa e as especiarias finas da charcutaria clássica borgonhesa são parceiras naturais da austeridade cisterciense desta cuvée.