Introdução
Pommard fica na Côte de Beaune, mas seus solos argilo-calcários carregados de ferro e sua vocação para tintos de estrutura densa fazem dela uma appellation à parte na Borgonha.
É desse coração que Oronce de Beler traz este Premier Cru: uma parcela única, voltada para o sul, escolhida a dedo entre os viticultores orgânicos com quem trabalha há anos.
Descrição da safra
A safra 2023 foi, na Borgonha, uma das mais quentes já registrados na região, superando, inclusive, 2022 em temperatura média. O ciclo começou com um inverno muito ameno e seco, seguido de uma primavera instável que trouxe chuvas bem-vindas para recarregar os solos. A floração foi irregular e prolongada, resultando em cachos numerosos e acima do tamanho habitual - sinal precoce de uma colheita volumosa. Em julho, episódios de granizo atingiram pontualmente algumas áreas da Côte de Beaune e a primeira quinzena de agosto chegou fria e úmida, com pressão elevada de míldio. A partir de meados de agosto, porém, a seca e o calor intenso aceleraram a maturação das uvas de forma decisiva.
As colheitas foram realizadas em setembro sob temperaturas ainda elevadas, exigindo colheita nas primeiras horas do dia para garantir frescor dos frutos. O resultado, segundo o Bureau Interprofessionnel des Vins de Bourgogne, foi uma safra generosa em quantidade e de grande qualidade.
Para Pommard, o clima quente e a boa maturação dos tintos traduziram-se em pinots de fruta madura, taninos sedosos e equilíbrio entre estrutura e frescor - características que se reconhecem neste Premier Cru da La Maison Romane.
Vinificação e Élevage
A colheita é inteiramente manual, com dupla seleção rigorosa - primeiro no vinhedo e depois na mesa de triagem -, garantindo que apenas cachos íntegros cheguem à adega. A marca registrada de Oronce de Beler é a vinificação em cachos inteiros, sem desengace - entram na cuba, preservando a integridade da fruta e conferindo ao vinho a finesse e a pureza que definem o estilo da casa.
Na cave, a intervenção é mínima: as remontagens e pigeages ocorrem somente na fase terminal da fermentação, e o uso de sulfitos é deliberadamente baixo ou nulo durante o processo. As leveduras são indígenas, presentes naturalmente nas uvas e no ambiente da adega.
Concluída a fermentação maloláctica, o vinho passa ao élevage de 12 meses em velhos fûts de carvalho - barricas usadas, sem madeira nova predominante, para que o carvalho não ofusque a expressão do terroir. Todo o processo de trasfega é conduzido por gravidade, sem uso de bombas, respeitando o ciclo lunar.
Ao final do élevage, o vinho é engarrafado manualmente, sem colagem e sem filtração, e as garrafas são seladas com cera - protocolo adotado pela La Maison Romane desde a primeira safra.
Nota de Degustação
Incrivelmente acessível para um Pommard em estágio tão jovem. Fruta vermelha fresca, folha de tabaco, cereja madura e groselha. Na boca, deliciosa suculência de fruta, porém com polidez e textura sedosa. Pura elegância!
Harmonização
Sirva entre 14 e 16 °C, em taça borgonha de bojo amplo, que valoriza os aromas de cereja e groselha e a textura sedosa do vinho.
A suculência da fruta e os taninos polidos pedem carnes com sabor pronunciado: um filé de boi grelhado ou uma costela de cordeiro assada são escolhas certeiras. Cogumelos selvagens salteados na manteiga, sozinhos ou acompanhando aves, realçam as notas terrosas e minerais. Queijos de casca lavada, como époisses ou langres, constroem um contraste cremoso elegante. Na cozinha brasileira, um picadinho de filé com molho de vinho tinto e ervas frescas é uma combinação natural para este estilo de Pinot Noir estruturado e ao mesmo tempo fino.