Wasenhaus · Alemanha · Baden

Spätburgunder Bellen 2022

Tinto Seco

R$ 1.881,00

Uma hora no decanter permite a este Bellen 2022 apresentar uma linda cereja levemente confeitada, rosas, incenso e especiarias, com textura suculenta que preenche a boca e chama o próximo gole.

Entenda o que você está comprando

Introdução

Entre os vilarejos de Kirchhofen e Pfaffenweiler, na extremidade sul de Baden, existe uma encosta tão íngreme que nenhuma máquina consegue trabalhar - só mãos.

É nesse vinhedo de talude calcário, voltado para o poente, que a Wasenhaus planta raízes alemãs e seleções massais borgonhesas lado a lado, deixando que décadas de convivência entre as duas tradições se traduzam numa Spätburgunder de precisão rara.

Alex Götze e Christoph Wolber aprenderam o ofício da vitivinicultura em grandes domaines da Côte d'Or e trouxeram para Staufen im Breisgau não uma imitação, mas uma voz própria formada no mesmo alfabeto.

Descrição da safra

O verão de 2022 em Baden foi marcado por calor intenso e seca prolongada - o mais ensolarado de que se tem registro na região.

A ausência de chuvas ao longo dos meses mais quentes exerceu pressão sobre as vinhas mais jovens, mas as videiras velhas do Bellen, com raízes profundas em solo argilo-calcário, atravessaram o período seco com relativa desenvoltura.

A colheita avançou com antecedência de uma a duas semanas em relação à média histórica, beneficiando-se de uvas saudáveis e sem pressão de doenças fúngicas, problema que havia afetado duramente a safra anterior.

Em Baden, ao contrário de outras regiões alemãs, as chuvas chegaram em agosto e acompanharam a colheita, temperando o acúmulo de açúcar e garantindo pesos de mosto moderados. O resultado, segundo o Associação de Vitivinicultores de Baden, foi um ano muito bom para as variedades Burgunder, com uvas sadias, álcool comedido e boa expressão aromática. Para a Spätburgunder Bellen, esse equilíbrio entre maturação solar e frescor se traduz numa safra de transparência e precisão - qualidades que importadores especializados descrevem como de "intensidade sem peso" e "profundidade luminosa".

Vinificação e Élevage

A colheita no Bellen é inteiramente manual - obrigação imposta pela inclinação acentuada do vinhedo, que impossibilita qualquer mecanização.

As uvas chegam à adega saudáveis e são encaminhadas para fermentação espontânea em dornas abertas de madeira, com leveduras nativas, sem qualquer inoculação. Wasenhaus ajusta a proporção de cachos inteiros de acordo com o vinhedo e a safra; para o Bellen 2022, a casa usou cerca de 40% de cachos inteiros, com o material francês (cujos engaços amadurecem com mais regularidade), enquanto o clone alemão, de engaços mais verdes e fruto em proporção maior, é desengaçado.

A fermentação tem início em maceração carbônica parcial e prossegue como fermentação clássica em dorna aberta, com extração deliberadamente suave: pouquíssimos remontages, apenas movimentos ocasionais do chapéu, feitos à mão. O sulfito é adicionado somente após a conclusão da fermentação maloláctica - nunca antes -, prática que Alex Götze desenvolveu durante seus anos na Domaine de Montille e que, segundo ele, favorece a integração dos taninos, em especial nas cuvées com maior presença de cachos inteiros.

O élevage transcorre em barricas francesas usadas de tamanho pequeno, sem qualquer apelo à madeira nova, por um período de aproximadamente quinze a dezesseis meses. Wasenhaus trabalha com um velho prelo mecânico de parafuso que tritura levemente cascas e engaços durante a prensagem, produzindo um mosto deliberadamente turvo e rico em sólidos. Essa turbidez - ao contrário do que preconiza a enologia convencional - é incorporada à fermentação e ao élevage: os sólidos criam um ambiente redutor que favorece as leveduras nativas, dispensando adições de sulfito durante o processo e contribuindo para estrutura, textura e potencial de guarda. Os vinhos não são colados nem filtrados. O sulfito total é mantido abaixo de 40 a 50 partes por milhão, adicionado apenas uma vez, próximo ao engarrafamento, que também se faz sem bombeamento.

Nota de Degustação

De cor rubi translúcida, o Bellen 2022 apresenta aromas profundos e intensos de cereja ligeiramente confeitada e rosas, permeados por nuances de especiarias, incenso e um leve tostado. Segundo o Wine Advocate, revela fruta madura, porém perfeitamente amadurecida, integrada a taninos calcáreos nervosos e salinidade refrescante.

Na boca, o ataque é fresco e vibrante, com textura suculenta e com grande concentração. Os taninos, ainda presentes, são naturais e extraordinariamente integrados para vinhas velhas. O final é persistente, com tração e tensão, deixando uma salinidade pura e duradoura.

O importador Crush Wine Co., de Nova York, descreve os 2022 de Bellen como dotados de "intensidade sem peso" e "transparência e profundidade incríveis". Um vinho jovem que guarda potencial considerável de evolução em garrafa.

Harmonização

Sirva o Bellen 2022 em taça Borgonha ampla, a 14-16 °C - temperatura que preserva a acidez viva e a salinidade do vinho sem aplacar seus aromas.

A elegância de corpo médio pede pratos de sabor delicado e alguma profundidade: peito de pato ao molho de cerejas combina com a fruta madura e a especiaria do vinho; lombo de vitela com funghi porcini explora a afinidade clássica entre Pinot Noir e cogumelos umami; coq au vin de inspiração borgonhesa conversa diretamente com o estilo da casa. Queijo de casca florida, como brie ou camembert curado, também funciona bem, pois a acidez corta a gordura com precisão. Na cozinha brasileira, um frango caipira assado lentamente com ervas frescas e alho é escolha certeira - o prato tem gordura contida, sabor terroso e estrutura suficiente para acompanhar a tensão e a persistência do vinho.