Domaine Luneau-Papin · França · Loire

Muscadet Sèvrre et Maine Sur Lie Le Verger 2023

Branco Seco · AOC Muscadet Sèvre et Maine

R$ 248,00

De vinhas biodinâmicas de La Chapelle-Heulin, o Le Verger amadurece 16 meses sobre as borras. É um Muscadet aromático, tenso e salino, ideal para ostras e frutos do mar.

Entenda o que você está comprando

Introdução

O vinhedo Le Verger, localizado no vilarejo de La Chapelle-Heulin, repousa sobre um leito de xisto e micaxisto - rochas antigas que guardam a memória mineral de um oceano próximo, cujas brisas nunca deixam de chegar.

Ali, Pierre-Marie e Marie Chartier-Luneau cultivam vinhas de Melon de Bourgogne em agricultura biodinâmica, sem atalhos. O resultado é um Muscadet que, ao contrário do que o nome da apelação às vezes sugere, tem profundidade real - tenso, salino, enraizado numa rocha que Olivier Poussier, eleito melhor sommelier do mundo e contribuidor da La Revue du vin de France descreveu como um vinho que "respira xisto tanto nos aromas quanto nos sabores".

Descrição da safra

Na região do Muscadet, 2023 foi o primeiro ano sem geadas de primavera significativas desde 2018, o que permitiu à vinha do Pays Nantais uma recuperação muito aguardada após uma sequência de colheitas reduzidas.

A Fédération des Vins de Nantes descreveu o ano como um 'millésime equilibrado', com boa maturação das uvas garantida por uma ondas de calor no fim do verão, especialmente na primeira semana de colheita, quando as temperaturas ultrapassaram 35°C. No entanto, julho e o início de agosto trouxeram chuvas intensas que favoreceram o desenvolvimento do míldio, exigindo atenção redobrada no vinhedo. No Domaine Luneau-Papin, a própria equipe descreveu 2023 como 'un millésime d'équilibre', com calor na primavera e início do verão, chuvas em julho e princípio de agosto, seguidas de forte calor no final da estação e durante a colheita, que se iniciou em 4 de setembro na região.

O resultado, para a appellation, foram uvas com boa acidez natural preservada, graus alcoólicos mais moderados do que nos anos anteriores e excelente sanidade, dando ao Le Verger 2023 a tensão e o frescor que lhe são característicos.

Vinificação e Élevage

As uvas de Melon de Bourgogne da parcela Le Verger são colhidas à mão, com seleção rigorosa ainda no vinhedo. Os cachos chegam inteiros à cave e são prensados numa prensa pneumática, cuja força e duração são ajustadas a cada colheita. O mosto resultante fermenta de forma espontânea, conduzida exclusivamente pelas leveduras indígenas presentes na parcela, sem qualquer adição de leveduras selecionadas.

O élevage do Le Verger 2023 transcorre inteiramente sobre as borras finas, em cubas de concreto enterradas e revestidas internamente com pastilhas de pasta de vidro - um sistema singular do domaine que isola termicamente o vinho e preserva a pureza do fruto. O período de élevage para a safra 2023 é de 16 meses sobre as borras, com bâtonnage regular, e sem qualquer trasfega antes do engarrafamento. Essa permanência prolongada sobre as lies é a essência da denominação Muscadet Sèvre et Maine sur Lie e, no Domaine Luneau-Papin, é realizada além do mínimo exigido pela AOC, conferindo ao vinho textura, tensão e a profundidade mineral que distinguem a cuvée.

Nota de Degustação

Na taça, o Le Verger 2023 apresenta amarelo pálido com reflexos esverdeados. O nariz é extremamente aromático e preciso: expressão delicada do Melon de Bourgogne com notas anisadas, florais e de fruta branca, percorridas por notas minerais que lembram ardósia e uma discreta brisa marinha. Com o tempo, surgem zestes de limão e maçã verde de contornos nítidos.

A boca é imediatamente franca e tensa, com acidez vibrante e textura cremosa, herança dos 16 meses sobre as borras finas. A Revue du Vin de France descreveu o 2023 como "um Muscadet muito equilibrado, com expressão deliciosa da Melon, floral, e um final extremamente salivante". A mineralidade calcária e a salinidade do xisto dominam o final, longo e insinuante. Pode ser apreciado já agora, mas ao contrário do que muitos imaginam, ganha bastante profundidade com 5 a 10 anos de guarda.

Harmonização

Sirva entre 10 e 12 °C, em taça de abertura média que preserve o frescor e concentre os aromas.

A acidez vibrante e a salinidade mineral do Le Verger 2023 pedem, acima de tudo, ostras e frutos do mar crus: a mineralidade do xisto espelha a briosidade do molusco numa das combinações mais clássicas da gastronomia atlântica francesa. Mexilhões à marinière, linguado grelhado e vieiras em carpaccio com cítricos são parceiros igualmente naturais. Na cozinha brasileira, a tainha ou o robalo grelhados com azeite e ervas funcionam muito bem, assim como um ceviche de peixe branco, cuja acidez do limão dialoga com a tensão do vinho. O beurre blanc nantais, molho de manteiga emulsionada com vinho e chalotas, é o par regional por excelência: a acidez do Le Verger corta a gordura e devolve frescor ao paladar. Para finalizar, queijos frescos de cabra - um Sainte-Maure ou um crottin jovem - completam o espectro sem se sobrepor ao vinho.