Equipo Navazos · Espanha · Andalucia

Navazos Niepoort 2022

Branco Seco

R$ 469,00 R$ 399,00

Nascido da parceria entre Jerez e o Douro para valorizar os brancos de Palomino Fino criados sob flor, Navazos Niepoort resgata uma tradição ancestral da Andaluzia.

Entenda o que você está comprando

Introdução

Dirk Niepoort participou da criação do projeto Navazos Niepoort, em 2008, incentivando a recuperação de uma antiga tradição de Jerez: a elaboração de brancos de Palomino Fino criados sob véu de flor, sem fortificação (crianza biológica). Sua contribuição foi decisiva, sobretudo ao reconhecer publicamente o potencial das albarizas para dar origem a grandes vinhos brancos em sua graduação alcoólica natural. O nome Navazos Niepoort celebra justamente essa parceria e a visão compartilhada com Equipo Navazos.

A elaboração do vinho em Jerez fica a cargo da Equipo Navazos, com Eduardo Ojeda à frente do trabalho técnico. Assim, os papéis se complementam: Niepoort como parceiro na concepção e no impulso inicial; Ojeda como responsável por concretizar essa proposta na adega.

Tudo indica que o surgimento dos vinhos de maturação biológica na Andaluzia ocorreu na segunda metade do século XVIII, entre Sanlúcar, que fornecia os vinhos, e Cádiz, que fornecia os canais comerciais, na forma de tabernas (tabancos de montañeses), onde os efeitos benéficos da flor foram apreciados pela primeira vez.

Tudo sugere, também, que naquela época a prática de fortificar os vinhos brancos destinados ao consumo local era rara. Isso é relatado em 1801 por Agustín Fernández em seu artigo "Cultivo de las viñas y modo de hacer el vino en Sanlucar de Barrameda", publicado na edição número 213 do “Semanário de Agricultura e Artes”, destinado aos párocos da época.

Após esclarecer que as melhores uvas são as "listanes" (palomino fino) e os melhores vinhedos estão em "terras brancas" (albariza), Agustín Fernández prosseguia: "Os brancos, sendo a uva de boa qualidade, não precisam de nada; é verdade que alguns costumam adicionar uma quarta parte de aguardente refinada para assegurá-los; mas se arriscam com isso a que fiquem duros" (pág. 59).

Se juntarmos a isso o fato de que a classificação dos vinhedos da região já estava solidamente estabelecida no início do mesmo século XVIII, pode-se inferir que as características de qualidade do vinho da época eram: a) uva palomino fino, b) proveniente dos melhores vinhedos, c) fermentado em barrica, d) com leveduras autóctones, e) envelhecido sob o véu de flor que começava a se formar imediatamente, uma vez que as leveduras da fermentação terminavam seu trabalho e deixavam o campo preparado para a intervenção das leveduras de flor, f) sem adição de álcool. Esse vinho, antes da generalização da denominação "vinho de manzanilla", originária de Cádiz, era conhecido localmente como "vinho branco".

Navazos Niepoort, trazido exclusivamente ao Brasil pela Cave Léman, representa o resgate destas práticas ancestrais, idealizado por dois dos mais icônicos vitivinicultores da Europa: Equipo Navazos da Espanha e Niepoort de Portugal.

Safras engarrafadas de Navazos Niepoort: 2008, 2009, 2010, 2012, 2014, 2015, 2016, 2018, 2020 e 2022.

Descrição da safra

A safra de 2022 em Jerez ficou marcada por condições climáticas excepcionalmente severas.

Após três anos consecutivos de baixa pluviosidade, o ciclo vitícola de 2021-2022 trouxe poucas chuvas, com cerca de 90% delas concentradas entre dezembro e março. A primavera foi seca e curta, e o verão chegou cedo e com força: dias muito quentes em maio aceleraram a maturação, seguidos de um junho relativamente ameno e, depois, de calor intenso com ventos de levante durante julho e início de agosto.

Inacreditavelmente, alguns viticultores iniciaram a colheita em julho, episódio que entrou para os registros históricos da região. Os rendimentos foram baixos - os cachos eram leves e as bagas, pequenas -, mas a sanidade das uvas foi alta.

Apesar do caráter desafiador do ano, Luis Gutiérrez, da Wine Advocate, descreveu a 2022 como uma safra clássica e equilibrada no pago de Macharnudo. O estresse hídrico e o calor intenso, que em outras partes de Jerez pressionaram a acidez para baixo e travaram a maturação, tiveram efeito mais contido nesse vinhedo de albariza, graças à capacidade do solo calcário de reter e liberar umidade com regularidade. O resultado foi uma colheita de maturação concentrada e uvas com caráter mineral pronunciado.

Vinificação e Élevage

A colheita das uvas de Palomino Fino do vinhedo Macharnudo Alto é feita à mão, para preservar a integridade dos cachos.

O mosto fermenta espontaneamente, com leveduras autóctones em botas tradicionais de carvalho americano com cerca de 40 anos de uso e capacidade de 600 litros. Essas botas são preenchidas apenas até cinco sextos de sua capacidade - um detalhe intencional e fundamental: o espaço deixado vazio favorece a formação do véu de flor sobre a superfície do vinho.

Imediatamente após a conclusão da fermentação alcoólica, leveduras autóctones de flor tomam o controle das botas e iniciam a crianza biológica. Na safra 2022, o vinho permaneceu sob esse véu de flor nas botas por cerca de dez meses, seguidos de mais dois meses de repouso em tanque de inox, também com presença de flor, totalizando aproximadamente doze meses de élevage antes do engarrafamento.

O vinho foi engarrafado em agosto de 2023, sem nenhuma adição de álcool e sem fortificação - o teor alcoólico resulta exclusivamente da fermentação natural da uva.

Nota de Degustação

Na taça, o Navazos Niepoort 2022 apresenta cor amarelo-limão a dourado-claro, límpido e de intensidade contida.

No nariz, o vinho revela aromas de flor branca, frutas amarelas e maresia, com camadas salgadas e uma redução levedurosa típica da crianza sob flor.

Na boca, o ataque é seco e mineral, com acidez elétrica e textura sedosa. O conjunto é saboroso, com umami e salinidade pronunciados que percorrem o paladar até um final longo, calcário e estimulante. Percebe-se, também, notas de amêndoa torrada, em maturidade plena.

A personalidade é ao mesmo tempo salgada e elegante, bem distante de um branco convencional.

Harmonização

Sirva frio, entre 9 ºC e 11 ºC, em taça de branco de abertura generosa - nunca em copita.

A salinidade pronunciada e a acidez elétrica do vinho pedem frutos do mar pouco elaborados: ostras cruas ou mariscos no vapor são combinações quase inevitáveis, pois a mineralidade calcária do vinho ecoa a iodosidade do mar. Peixes brancos grelhados ou cozidos no sal funcionam pelo mesmo princípio: a textura sedosa do vinho sustenta a delicadeza da carne sem a encobrir. Um arroz de frutos do mar, com caldo levemente defumado e coentro fresco, é a sugestão da cozinha brasileira - a salinidade e o umami do vinho dialogam diretamente com o caldo. Aperitivos à base de presunto ibérico e queijos frescos de sabor delicado completam o quadro, aproveitando a veia saborosa e a amêndoa torrada que aparecem no final.