Introdução
No Ehrenstetter Ölberg, acima do riacho Möhlin, vinhas plantadas na década de 1950 agarram-se a terraços calcários num declive acentuado que só admite o trabalho humano.
Foi desse lugar que Alex Götze e Christoph Wolber - formados na Borgonha, nas mãos de Pierre Morey, Leflaive e De Montille - escolheram tirar o que consideram o maior branco da casa. O Weissburgunder Möhlin nasce de solo argilo-calcário, exposto ao sol do sudeste a 350 metros de altitude, onde a escassez característica do terreno faz as vinhas trabalharem incansavelmente para oferecer frutos de qualidade.
Descrição da safra
Em Baden, 2022 foi marcado por verão excepcionalmente quente e seco, com intensa insolação e escassez hídrica que impôs pressão às vinhas mais jovens. Na região, porém, ao contrário de outras áreas da Alemanha onde a chuva só chegou em setembro, as precipitações ocorreram ainda em agosto e acompanharam a colheita - que se beneficiou também de temperaturas mais amenas durante as semanas de vindima.
Segundo o Badischer Weinbauverband (Associação dos Viticultores de Baden), o resultado foi um ano muito bom tanto em qualidade quanto em quantidade, com colheita 13% acima da média histórica e 50% superior à de 2021, ano castigado por geadas e doenças.
Para as castas Burgunder, incluindo o Pinot Blanc, 2022 foi descrito como um ano muito bom na região: os mostos não ultrapassaram pesos excessivos graças às chuvas de agosto, resultando em teores alcoólicos moderados, aromas varietais definidos e acidez equilibrada. No Ehrenstetter Ölberg, a altitude de 350 metros e o solo argilo-calcário ajudaram a preservar frescor e precisão, o que o próprio vinho confirma com seus 12,66% de álcool - número que evidencia um ano em que a maturidade veio acompanhada de equilíbrio.
Vinificação e Élevage
As uvas são colhidas à mão no Ehrenstetter Ölberg e chegam à adega em cachos inteiros, que passam diretamente pela prensa - sem desengace e sem maceração prévia.
A fermentação ocorre de forma natural, com leveduras indígenas, em barricas usadas de carvalho francês, com temperatura máxima de 21 °C. O vinho passa pela fermentação malolática completa, e os sulfitos só são adicionados após sua conclusão - uma escolha deliberada de Alex Götze e Christoph Wolber para preservar a integração e a fluidez do conjunto.
O élevage é conduzido inteiramente sobre as borras finas, sem trasfega, durante doze meses em barricas usadas de carvalho francês, recipientes que cedem pouquíssimo aroma de madeira ao vinho. A esse período em barrica sucedem-se seis meses em tanque de aço inoxidável, também sobre as borras, antes do engarrafamento. O total de sulfitos é mantido abaixo de 30 a 50 partes por milhão. O vinho recebe leve filtração antes de ser engarrafado, sem colagem.
Nota de Degustação
No estágio atual, aeração de pelo menos 1 hora se faz necessária. Na taça, o vinho apresenta cor amarelo-clara com brilho cristalino.
O nariz é limpo e preciso: aromas encantadores de flores brancas, pedra molhada e calcário dominam o conjunto, acompanhados de citrus fresco. O olfato, de largada, já mostra a superioridade deste Pinot Blanc em relação aos seus irmãos da Alsace.
Na boca, a textura é suculenta, com notas minerais e muita tensão, acompanhada de uma acidez vibrante e um núcleo salino que sustenta o conjunto sem peso excessivo. O final é intenso e persistente. Ainda muito jovem no estágio atual, o vinho tem potencial de guarda por pelo menos 10 anos.
Harmonização
Sirva o Weissburgunder Möhlin entre 10 e 12 °C, em taça de vinho branco de bojo médio, que valoriza sua textura suculenta e realça a mineralidade calcária.
Com sua acidez vibrante e núcleo salino, o vinho pede pratos de frescor e delicadeza: peixe de carne branca grelhado ou assado - como o robalo ou o linguado - é combinação clássica e certeira. Frutos do mar cozidos no vapor ou em manteiga de ervas também funcionam muito bem, graças à tensão e à salinidade do vinho. Aspargos com manteiga ou molho holandês encontram neste Pinot Blanc o parceiro ideal para equilibrar a leveza amarga do vegetal. Um vitelo ao limão, com seu caráter delicado e cítrico, é uma grande pedida. Na cozinha brasileira, um filé de robalo, tilápia ou pirarucu grelhado com azeite, limão-siciliano e ervas frescas faz uma parceria natural com a mineralidade e a acidez precisa desta cuvée.