Weingut Rudolf Fürst · Alemanha · Franken

Spätburgunder Bürgstadter Berg 1G 2022

Tinto Seco · VDP.ERSTES GEWÄCHS®

R$ 952,00 R$ 799,00

Do arenito vermelho do Bürgstadter Berg 1G e das mãos de Sebastian Fürst nasce um Pinot Noir de grande tensão mineral, precisão e finesse.

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Introdução

Na curva sudoeste que o rio Main desenha ao contornar Bürgstadt, as encostas do Bürgstadter Berg guardam algo raro: um arenito vermelho carregado de ferro que dá à Pinot Noir alemã uma tensão mineral difícil de encontrar em outro lugar.

Desse vinhedo nascem uvas de parcelas dentro dos Grand Crus Centgrafenberg e Hundsrück, cultivadas por Paul e Sebastian Fürst com o mesmo rigor artesanal que a família pratica desde 1638. A localização única, protegida pelos relevos de Odenwald e Spessart, proporciona um microclima ameno e ideal para a maturação da Pinot Noir.

O que chega à garrafa é um Spätburgunder de precisão e finesse, formado por quatro séculos de dedicação a vitivinicultura.

Descrição da safra

A safra de 2022 na Francônia ficou marcada pela seca intensa que se estendeu de maio até o fim de agosto - um dos verões mais quentes desde o início dos registros históricos. A ausência de geadas tardias permitiu um desenvolvimento fenológico rápido: o brotamento adiantou-se em relação à média histórica, a floração ocorreu cerca de duas semanas antes do habitual e o início da maturação chegou com dez dias de antecedência. As vinhas jovens sofreram com o estresse hídrico, mas as parcelas mais antigas do Bürgstadter Berg, com raízes profundas que alcançam o arenito vermelho, resistiram bem às condições adversas e mantiveram frescor e equilíbrio. As chuvas chegaram no início de setembro, devolvendo suculência às bagas sem comprometer a sanidade - as uvas foram colhidas saudáveis, com ótimos pesos de mosto e aromaticidade apurada.

O resultado, segundo o VDP, foi uma safra de notável vitalidade e elegância, surpreendente para um ano tão quente. Na taça, o Bürgstadter Berg 1G de 2022 conserva frescor e tensão mineral que desmentem as temperaturas do verão, combinando riqueza de fruta madura com a mineralidade salina típica do solo de arenito ferroso.

Vinificação e Élevage

A colheita é realizada manualmente, em passagens sucessivas pelo vinhedo, para que apenas as uvas no ponto ideal de maturação sejam aproveitadas.

Na adega, Sebastian Fürst aplica uma pré-maceração a frio característica da casa: os cachos inteiros, sem desengace, são depositados nos tanques e resfriados com placas frias para retardar o início da fermentação. Sobre eles são dispostas as uvas parcialmente desengaçadas - com cuidado para não esmagá-las. Na safra de 2022, a proporção de cachos inteiros na fermentação foi de aproximadamente 35%, o que corresponde a 65% de uvas desengaçadas. O conjunto resulta numa combinação entre maceração carbônica parcial, dentro das bagas intactas, e uma abordagem mais oxidativa no restante da massa - um método que, segundo a própria vinícola, promove maior complexidade aromática e fruta mais pronunciada.

Nos primeiros oito a dez dias não há pisão; o chapéu de bagaço é empurrado suavemente de volta com um bastão quando necessário. A fermentação alcoólica ocorre com leveduras indígenas em tonéis abertos de madeira, com duração de 13 a 17 dias, seguida de prensagem em prensa de cesto. A fermentação malolática se completa por ação de bactérias lácticas indígenas.

O élevage é realizado em barricas borgonhesas de 228 litros com 15% de madeira nova, por um período de 16 a 18 meses. Os vinhos se clarificam naturalmente durante o longo repouso sobre as borras, com os tonéis decantados individualmente ao final do período.

O vinho é engarrafado sem colagem e sem filtração, com adição mínima de sulfitos.

Nota de Degustação

A cor é vermelho-rubi brilhante, de intensidade média, translúcida à luz - característica da elegância filigrana da casa.

No nariz, segundo Stephan Reinhardt (Wine Advocate), o vinho se apresenta profundo, intenso e elegante, com aromas de cereja madura e groselha negra, nuances de ervas doces e feno fresco, e uma salinidade crocante que denuncia o arenito ferroso. James Suckling descreve um caráter sílex juvenil que cede, com aeração, a notas de cereja ácida e violeta.

Na boca, o ataque é denso e generoso, mas nunca pesado: Reinhardt observa que é "puro, fresco e salino, muito delicado e de comprimento espetacular, porém jamais poderoso ou grande". Os taninos são finos e maduros, a acidez equilibrada, o corpo médio-encorpado com textura sedosa. O final é longo, com mineralidade salina persistente.

O vinho já pode ser apreciado agora, mas estará em seu melhor a partir de 2026, com potencial de gaurda até 2035.

Harmonização

Sirva em taça borgonha, a 12-14°C, e decante por uma a duas horas para que os taninos se abram e a mineralidade do arenito ganhe expressão.

Carnes braseadas - um ragu de javali ou um pernil ao molho de vinho e zimbro - encontram nas notas de cereja e na acidez viva do vinho um contraponto preciso. Aves de caça assadas ou confitadas, como pato com redução de frutas vermelhas, acompanham a finesse da Pinot Noir sem ofuscá-la. Pratos de macarrão com cogumelos frescos e ervas valorizam a salinidade mineral do vinho. Queijos de casca lavada ou queijo-do-reino curado dialogam com a estrutura tânica delicada. Na cozinha brasileira, um frango caipira assado lentamente com ervas e batatas-rústicas é uma parceria elegante e acessível.