COZs

Portugal · Lisboa

COZs

Da memória de José Mendonça, da Quinta dos Cozinheiros (Beira Atlântico), a vinhedos na Serra de Montejunto (Lisboa), António Marques da Cruz e Tiago Teles cultivam o Portugal atlântico com maestria.

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História

Criado em 2015 por António Marques da Cruz e Tiago Teles, o projeto COZs reúne dois percursos distintos, unidos pelo respeito à terra, às castas portuguesas e à identidade de cada vinha. Dessa parceria nascem vinhos que convidam a conhecer Portugal por suas raízes e a descobrir como pequenas parcelas, solos calcários e a proximidade do Atlântico se revelam na taça.

Dois caminhos, uma mesma convicção

António Marques da Cruz traz a experiência da Quinta da Serradinha, em Leiria, e uma história familiar ligada ao vinho há várias gerações. Na propriedade, a agricultura orgânica começou a ser adotada no final dos anos 1970. Foi nesse ambiente que o cuidado com a vinha e a observação da natureza se consolidaram como fundamentos de seu trabalho.

Tiago Teles chegou à produção depois de percorrer Portugal como crítico e autor de textos sobre vinho. Anos de viagens, provas e reflexão ajudaram a formar sua visão: um vinho deve expressar o solo, o clima e a cultura de onde vem. Em 2012, iniciou seu trabalho como produtor na Bairrada, sob a marca Tiago Teles. Três anos depois, uniu-se a António para aprofundar esse caminho em um projeto dedicado à recuperação de vinhas e à agricultura orgânica.

Uma origem que permanece no nome

A história da COZs começa na Quinta dos Cozinheiros, em Marinha das Ondas, na Figueira da Foz, onde José Mendonça encontrou nas vinhas da família um patrimônio que merecia ser preservado. Engenheiro mecânico de formação, dedicou-se à viticultura com curiosidade e rigor: viajou, estudou e buscou conhecimentos que o ajudassem a revelar a identidade daquele lugar, próximo ao Atlântico.

Para José Mendonça, o caráter de um vinho nascia do encontro entre castas, solo, clima e a pessoa que cuidava da vinha. A sensibilidade do produtor, suas escolhas e sua maneira de compreender o mundo também faziam parte do terroir (a combinação de fatores que dá identidade a um vinho). Essa convicção se traduzia na agricultura orgânica, na defesa das castas tradicionais e no respeito às diferenças de cada lugar. A Baga, conhecida localmente como Poeirinho, ocupava um lugar importante nesse trabalho, em uma região cuja tradição vinícola havia perdido espaço ao longo do tempo.

O trabalho de José marcou profundamente António Marques da Cruz e Tiago Teles. Para Tiago, os vinhos da Quinta dos Cozinheiros foram determinantes em seu percurso. Em 2015, os dois procuraram a família do produtor, já falecido, e arrendaram as vinhas para recuperar e cultivar aquelas parcelas. Naquele mesmo ano, colheram as uvas que deram origem aos primeiros COZs, com a Baga acompanhada por outras castas tintas e brancas presentes nas vinhas.

O nome COZs, uma referência a Cozinheiros, mantém essa origem viva. Mesmo com o caminho que depois os levou à Serra de Montejunto, permanece a convicção que os aproximou: preservar uma vinha é também transmitir os conhecimentos, a diversidade e as histórias que dão sentido ao seu vinho.

Montejunto: um novo capítulo na região de Lisboa

Em 2017, António e Tiago adquiriram vinhas antigas na Serra de Montejunto, na região vitivinícola de Lisboa. Começava uma nova etapa do projeto, com a Vital, uva branca tradicional do oeste português, como personagem central dessa descoberta.

Entre encostas, solos argilo-calcários e a influência do oceano, encontraram um território capaz de produzir vinhos de frescor e personalidade. Preservar essas vinhas significa também conservar a diversidade das castas locais e o patrimônio agrícola que elas representam.

A Vital ganha expressões diferentes conforme a parcela onde é cultivada. Na COZs, a Vinha da Pena dá origem ao VP Vital, enquanto a Vinha do Outeiro origina o VO Vital. Conhecer os dois é uma oportunidade de descobrir como a mesma uva revela características próprias em cada lugar.

O lugar como assinatura

O cuidado na vinha tem continuidade na adega, com fermentações conduzidas por leveduras indígenas, naturalmente presentes nas uvas e no ambiente. O uso de recipientes de cimento ou de madeira usada e os diferentes tempos de contato com as cascas variam conforme o vinho, buscando respeitar as características de cada colheita e parcela.

É a ideia de “vinhos geográficos” defendida pelos produtores: vinhos capazes de revelar a origem e de evoluir com o tempo. Ao lado da Vital, castas como Arinto, Castelão e Baga ampliam as possibilidades dessa interpretação do Portugal atlântico.

Conhecer a COZs é descobrir como a recuperação de vinhas antigas pode abrir novas possibilidades para o vinho português. Em cada garrafa, a memória desses lugares encontra a interpretação de António e Tiago: um trabalho de observação e escolhas cuidadosas, que convida a perceber as diferenças entre castas, parcelas e colheitas.

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