Domaine Dandelion é um pequeno domaine de Mavilly-Mandelot, nas Hautes-Côtes de Beaune, conduzido por Morgane Seuillot e Christian Knott. Fundado em 2015, o projeto opera em uma escala deliberadamente reduzida: poucas parcelas, trabalho manual, manejo orgânico, a partir de parcelas situadas nas Hautes-Côtes.
A história do domaine reúne duas trajetórias improváveis e complementares. Morgane é borgonhesa de nascimento - e de espírito. Cresceu em meio à cultura vitícola da região, em uma família ligada ao trabalho da terra. Christian, por sua vez, nasceu do outro lado do mundo. Australiano de Paddington, em Sydney, a 3 km de Bondi, trabalhou com David Croix em 2007 e se mudou para a Borgonha em 2008, quando então passou a trabalhar no Chandon de Briailles em Savigny-lès-Beaune, a partir de 2009.
A história de Morgane e Christian começou de maneira improvável, longe da Borgonha, durante um jantar em Melbourne, na Austrália. Christian não estava presente, mas seu nome surgiu quando Morgane comentou que, ao retornar à Borgonha, gostaria de adquirir algumas parcelas de vinhedo, cultivá-las organicamente e produzir seu próprio vinho. À mesa, um casal de importadores australianos especializados em Borgonha conhecia Christian e sugeriu que ela o procurasse quando voltasse: ele era um enólogo australiano radicado na Borgonha, trabalhava de forma orgânica e, aos sábados, comandava uma banca de espresso e sucos orgânicos no mercado de Beaune. A banca era frequentada por alguns dos principais nomes da indústria vitivinícola local e por restaurateurs da região.
Depois de voltar para casa, Morgane levou seis meses até finalmente ir atrás de Christian - e de seu famoso café. Apareceu em sua banca com muffins de framboesa recém-saídos do forno, preparados com frutas colhidas naquela mesma manhã em seu jardim. A partir dali a história pessoal dos dois se entrelaçaria também a um projeto agrícola e vitícola comum.
Naqueles mesmos meses, Morgane já vinha procurando vinhedos acessíveis, mas cheios de personalidade, nas Hautes-Côtes - as colinas belas e tranquilas que se elevam acima da Côte d’Or, faixa mais prestigiada da Borgonha. Ali, distante do prestígio imediato das appellations mais célebres, o Domaine Dandelion construiu sua identidade a partir de outro tipo de valor: a precisão do trabalho agrícola, a escala artesanal e uma leitura própria da Borgonha contemporânea.
Hoje, Morgane e Christian cultivam seis parcelas diferentes na região, que somam menos de quatro hectares. Passam a maior parte do tempo entre as vinhas, realizando praticamente todo o trabalho. Ao lado dela, Christian aporta a experiência acumulada no Chandon de Briailles, onde pôde explorar métodos progressivos, orgânicos e naturais de vinificação a partir de vinhedos e uvas de Premier e Grand Cru.
As parcelas do domaine não são tratadas apenas como vinhedos, mas como ecossistemas vivos, diversos e profundamente integrados. O que poderia ser apenas uma pequena produção das Hautes-Côtes ganha, aqui, uma dimensão mais ampla: a de um trabalho atento, íntimo e rigoroso, no qual cada detalhe agrícola parece contar.
Na adega, a intervenção é mínima. As fermentações são espontâneas e conduzidas em concreto. Os tintos são vinificados com cachos inteiros e maceração carbônica parcial; os brancos, com parte dos cachos inteiros e parte desengaçada à mão. A prensagem é feita em uma antiga prensa vertical de parafuso, com estrutura de madeira, e os vinhos amadurecem em carvalho neutro sob a casa do casal - conhecida como presbytère, pois era ali, antigamente, que vivia o padre da pequena vila de Mavilly-Mandelot, ao lado da igreja.
O Pinot Noir do Domaine Dandelion costuma revelar profundidade, densidade e uma complexidade que vai além da fruta pura. Mais do que diferentes notas frutadas, surgem nuances salgadas e especiadas - uma expressão que parece refletir seus vinhedos-jardins, onde a vinha faz parte de um organismo maior.
O Aligoté, infelizmente, existe em quantidades muito pequenas. Plantado em 1944, em meio a imponentes afloramentos de rocha-mãe calcária, mostra uma força rara para a variedade, com intensidade e estrutura que desafiam expectativas. Mas a produção é tão limitada que sua importação regular se torna praticamente impossível.
Pequeno em escala, o Domaine Dandelion é grande na clareza de intenção. Seu lugar nas Hautes-Côtes de Beaune não se apoia no brilho imediato dos nomes mais famosos da Borgonha, mas em algo talvez mais precioso: vinhedos trabalhados de perto, uma agricultura viva, uma vinificação sem maquiagem e uma compreensão profundamente pessoal do que a Borgonha pode ser quando observada a partir de suas margens mais silenciosas.