Vouette & Sorbée · França · Champagne

Bertrand e sua filha Héloïse Gautherot cultivam cinco hectares biodinâmicos em Buxières-sur-Arce como um ecossistema vivo: cada lieu-dit revela um solo e uma expressão singular de Champagne.

Vouette & Sorbée

História

Há quase três décadas, quem poderia prever que Bertrand Gautherot, estabelecido em Buxières-sur-Arce, Côte des Bar, tornaria-se uma das maiores estrelas de Champagne? Naquela época, como a maioria dos viticultores do sul de Champagne, Bertrand vendia suas uvas para as grandes maisons do norte. Inspirado por amigos como Jerome Prévost e Pierre Larmandier, em 1994 Bertrand eliminou completamente a utilização de herbicidas em seus vinhedos e passou a fazer uso de práticas biodinâmicas. Quatro anos depois foi certificado pelo Demeter. Declarou-se independente do sistema Échelle des Crus e em 2001 lançou sua primeira cuvée sob o nome Vouette et Sorbée, que refere-se a dois de seus lieu-dits. Historicamente, a Pinot Noir era a variedade dominante, porém Bertrand expandiu lentamente suas plantações de Chardonnay. Hoje, ele cultiva cerca de 5 hectares de videiras divididas em 6 lieu-dits (5 em Buxières e um na vizinha Ville-sur-Arce). Bertrand é um agricultor acima de tudo, mas além das vinhas cria galinhas e gado e opera um ecossistema quase auto-suficiente.

Os 5 hectares se dividem em seis lieu-dits, cada um com solo e exposição próprios. Vouette, logo atrás de sua casa, foi herdada do pai junto com Sorbée; tem exposição sul, calcário Kimmeridgian na parte baixa do declive e Portlandien na parte alta - era um vinhedo de Pinot Noir até ser replantado com Chardonnay depois da colheita de 2014, e passa a entrar na composição da Blanc d'Argile a partir de 2020 (antes, suas uvas iam para a Fidèle). Sorbée fica no topo da mesma colina, solo inteiramente Portlandien, lieu-dit mais nivelado, exposição sudeste, só Pinot Noir com vinhas entre 40 e 55 anos - suas uvas vão para a Saignée de Sorbée.

Briaunes é a maior parcela, com 2 hectares - mesmo solo Kimmeridgian de Vouette, mas voltada para o oeste em vez do sul, o que a deixa mais fria e úmida e amadurece bem mais tarde. Tem vinhas mais jovens: 0,6 hectare de Pinot Noir e 1,4 hectare de Chardonnay, entrando na Fidèle. Foi o sucesso desse Chardonnay em Briaunes, somado ao da cuvée Blanc d'Argile, que convenceu Bertrand a replantar Vouette com Chardonnay em 2016.

Tirmy, batizado em homenagem a um vizinho apelidado Petit Remi, também olha para o oeste - um terreno inteiramente arborizado até o fim dos anos 1960, quando as primeiras uvas foram plantadas; hoje é Pinot Noir com mais de 40 anos, também parte da Fidèle.

Fonnet ocupa um pequeno vale fechado, solo argiloso Kimmeridgian, muito exposto ao vento, com dias quentes e noites frias - é majoritariamente Pinot Noir, o que Bertrand chama de "o coração" da Fidèle, com uma quantidade mínima de Chardonnay reservada para a Blanc d'Argile e para o Pinot Blanc da cuvée Textures. Chatel é a única vinha fora da aldeia de Buxières-sur-Arce, já em Ville-sur-Arce: uma parcela 100% Pinot Noir, rochosa, rica em calcário e com grande exposição ao sol, também usada na Fidèle.

Na adega, a filosofia segue a mesma linha do trabalho na vinha: uvas colhidas à mão, fermentação com leveduras indígenas em barris de carvalho francês, nada de chaptalização, filtração ou acidificação, sem macerações a frio - e uma quantidade mínima de SO2, adicionada só quando estritamente necessário, logo após a prensagem das uvas.

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